MULHERES ADOECEM MAIS, HOMENS MORREM MAIS CEDO


As provas são claras: do ponto de vista da constituição física, a mulher é o sexo mais forte.

“É maravilhoso”, diz Mitu Khurana, uma administradora hospitalar que vive em Nova Déli, “quando se engravida pela primeira vez, todos ficam muito empolgados. É um sentimento que não dá para descrever.”

A época de que ela se recorda com tanta ternura foi dez anos antes. Ela havia engravidado de gêmeos poucos meses depois de se casar e imaginava que nada poderia arruinar sua felicidade. Criada em uma família de irmãs, Mitu não se importava se teria dois meninos ou duas meninas, ou um de cada. “Eu só queria que as crianças tivessem saúde”, me diz ela. Mas o marido e a família dela não pensavam assim. Eles queriam garotos.

E assim começa uma história bastante comum, que se repete em milhões de lares por toda a Índia, a China e outras partes do sul da Ásia em que as culturas têm uma preferência escancarada pelos filhos em detrimento das filhas. São culturas que, como Mitu descobriu naquela época do passado, por vezes farão coisas terríveis para impedir que uma garota sequer venha a nascer. Algumas mulheres continuam tendo filhos até finalmente terem um menino. Outras são pressionadas, até o ponto da tortura, a abortar fetos femininos. Se conseguem chegar a nascer, muitos bebês do sexo feminino e garotinhas geralmente recebem um tratamento inferior ao dispensado aos garotos. Nos casos mais assustadores, essas meninas são mortas. Em 2007, a polícia de Orissa, no leste da Índia, encontrou crânios e partes do corpo do que acreditava ser três dúzias de fetos e crianças pequenas do sexo feminino em um poço abandonado. Uma reportagem de 2013 noticiou que um bebê havia sido enterrado vivo em uma floresta no estado central de Madhya Pradesh. Outra, de 2014, informava que um recém-nascido havia sido deixado em uma lata de lixo em Bhopal.

Naquele ano, um relatório das Nações Unidas dizia que o problema havia atingido níveis alarmantes. O censo realizado em 2011 na Índia já havia revelado que o número de meninas até seis anos era menor que o de meninos, e a diferença era de mais de sete milhões. A proporção geral entre os sexos era mais favorável aos garotos do que havia sido uma década antes. O motivo disso, em parte, era o crescente acesso a exames pré-natais de imagem, que, pela primeira vez, permitiam que os pais descobrissem facilmente o sexo de seus bebês cedo o bastante para fazerem abortos seletivos.

Em 1994, o governo indiano proibiu, por lei, os exames de identificação de sexo, mas clínicas independentes e médicos inescrupulosos ainda os oferecem, mediante o pagamento de um valor, de forma confidencial e discreta. Mitu me conta que nunca quis fazer um desses exames pré-natais de imagem, mas, no final, não teve escolha. Ela afirma ter sido induzida, durante a gravidez, a comer um bolo que continha ovo, um alimento ao qual ela é alérgica. O marido, médico, a levou a um hospital e, ali, um ginecologista a aconselhou a fazer um exame de imagem dos rins, com sedação. Foi nessa ocasião, acredita ela, que o marido descobriu o sexo dos bebês que ela esperava, sem seu consentimento nem seu conhecimento.

“Percebi, pelo comportamento dele, que eu teria meninas”, explica ela. Ele e a família logo começaram a pressioná-la a fazer um aborto. “Houve muita pressão.” Ela conta que a privaram de comida e água e que, certa vez, foi empurrada escada abaixo. Assustada e desesperada, Mitu foi para a casa dos pais, onde acabou dando à luz.

Ela conseguiu salvar as filhas. No entanto, as coisas não mudaram. “Eles não eram nada afetuosos”, conta, recordando a atitude do marido e da família dele com relação às meninas. Poucos anos mais tarde, ela encontrou, por acaso, um antigo laudo hospitalar que revelava o sexo dos fetos. Mitu interpretou-o como uma prova de que o marido a havia realmente submetido a uma ultrassonografia enquanto ela estava grávida, sem sua autorização. Em consequência da descoberta, ela abriu um processo contra ele e contra o hospital, processo que ainda tramitava pelas lentíssimas cortes indianas quando eu a entrevistei, dez anos depois do nascimento de suas filhas. O marido e o hospital negam veementemente as alegações.

Separada já há muito tempo do marido e à espera do divórcio, Mitu ficou famosa na Índia por estar entre as primeiras mulheres a tomar esse tipo de providência judicial. Ao difundir sua campanha por todo o país, ela teve a confirmação de que esse é um problema generalizado, que não faz distinção de classe nem religião. “Estou lutando porque não quero que minhas filhas passem por isso. Mulheres são desejadas como esposas e namoradas, não como filhas”, diz ela. “A sociedade precisa mudar.”

Por maior que seja o empenho em esconder os abortos seletivos, os assassinatos e os abusos contra mães e suas filhas, as estatísticas nacionais não mentem. A realidade fica escancarada nas proporções absurdamente desiguais entre os sexos. O relatório de 2015 das Nações Unidas, The World’s Women [Mulheres do mundo], diz: “Pode-se presumir que exista discriminação contra garotas naqueles países em que a proporção entre os sexos está próxima ou abaixo da linha de paridade”.

Essa é uma situação familiar para Joy Lawn, diretora do Centro de Saúde Materna, Adolescente, Reprodutiva e Infantil da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. “Se você for aos hospitais do sul da Ásia, pode chegar a ver alas inteiras com crianças doentes e perceberá que 80% delas são meninos, porque as meninas não estão sendo levadas ao hospital”, conta-me ela. Um desequilíbrio de gênero semelhante foi descoberto em um estudo de 2002 no Nepal, realizado pelas pesquisadoras de saúde pública Miki Yamanaka e Ann Ashworth, também da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. Elas pesquisaram o quanto se espera que as crianças trabalhem para sustentar a família e descobriram que as garotas trabalhavam duas vezes mais que os garotos, e que seu trabalho também era mais pesado.

Os impactos que a sociedade pode ter nas diferenças de gênero são profundos e incluem até o ato de tirar a vida. O que torna os números das taxas de mortalidade ainda mais chocantes é que, ao contrário da suposição de que as mulheres sejam o sexo frágil, de acordo com as estatísticas, um bebê do sexo feminino é mais robusto que um bebê do sexo masculino. A menina é naturalmente mais bem estruturada para sobreviver. À medida que os cientistas estudam o corpo feminino com mais minúcia, descobrem como a margem de sobrevivência das meninas é maior — mesmo em um mundo que nem sempre as quer.

“As mulheres parecem ter melhores perspectivas de sobrevivência que os homens em praticamente qualquer idade.”

Costumamos pensar no sexo masculino como o sexo mais robusto e poderoso. É verdade que os homens são, em média, 15,2 centímetros mais altos e têm por volta de duas vezes mais força na porção superior do corpo que as mulheres. Porém, força pode ser definida de maneiras diferentes. No que diz respeito ao instinto mais básico de todos — o da sobrevivência —, o corpo das mulheres tende a ser mais bem equipado que o dos homens.

A diferença existe desde o instante em que um bebê nasce.

“Quando estávamos lá, na unidade neonatal, e um garoto nascia, ensinavam-nos que, estatisticamente, o garoto tem maiores chances de morrer”, explica Joy Lawn. Além de suas pesquisas acadêmicas sobre saúde infantil, ela trabalha com medicina neonatal no Reino Unido e como pediatra em Gana. O primeiro mês após o nascimento é o período em que os seres humanos correm o maior risco de morte. Todo ano, no mundo inteiro, um milhão de bebês morrem no dia em que nascem. Contudo, se recebem exatamente o mesmo nível de cuidados, as meninas estão menos propensas a morrer que os meninos. A pesquisa de Lawn engloba dados do mundo todo e, assim, oferece o retrato mais amplo possível da mortalidade infantil. E, tendo pesquisado o assunto com tamanha profundidade, conclui que os garotos correm cerca de 10% mais risco que as garotas naquele primeiro mês — e isso se dá em parte, ou talvez totalmente, por razões biológicas.

Desse modo, no sul da Ásia, como em qualquer outro lugar do mundo, os números das taxas de mortalidade deveriam estar em favor das garotas. O fato de que tais números não são sequer iguais, mas pendem em favor dos meninos, significa que a capacidade natural de sobrevivência das meninas está sendo prejudicada, de modo forçado, pelas sociedades em que elas nascem. “Se você tem equivalência em suas taxas de sobrevivência, isso significa que você não está cuidando das garotas”, diz Lawn. “O risco biológico está em desfavor do menino, mas o risco social desfavorece a menina.”

Em outros lugares, as estatísticas de mortalidade infantil comprovam isso. Para cada mil bebês nascidos com vida na África subsaariana, 98 garotos morrem até os cinco anos de idade, ao passo que 86 garotas morrem nesse mesmo período. A pesquisa que Lawn e seus colegas publicaram na revista Pediatric Research, em 2013, confirmava que um menino tem 14% mais chances de nascer prematuro que uma menina, bem como está mais propenso a desenvolver deficiências, desde cegueira até surdez e paralisia cerebral, quando no mesmo estágio de prematuridade que uma menina. No mesmo periódico, em 2012, uma equipe da King’s College de Londres relatou que bebês do sexo masculino nascidos muito prematuramente têm maior propensão a permanecer mais tempo no hospital, a morrer ou a desenvolver problemas cerebrais e respiratórios.

“Eu sempre pensei que isso se desse por questões físicas, porque os meninos são um pouco maiores que as meninas, mas acredito que também seja uma suscetibilidade biológica a deficiências”, diz Lawn. Uma explicação para que mais garotos sejam prematuros é que as mães grávidas de meninos estão, por razões desconhecidas, mais sujeitas a ter problemas placentários e pressão alta. Uma pesquisa publicada por cientistas da Universidade de Adelaide na revista Molecular Human Reproduction, em 2014, mostrava que garotas recém-nascidas talvez fossem, em média, mais saudáveis porque a placenta da mãe tem um comportamento diferente dependendo do sexo do bebê. Com fetos do sexo feminino, a placenta faz mais para sustentar a gravidez e aumentar a imunidade contra infecções. Por que é assim, ninguém sabe. Poderia ser porque, antes de nascer, a proporção normal dos sexos entre os seres humanos é levemente favorável aos garotos. A diferença após o nascimento talvez fosse apenas uma forma de a natureza corrigir o desequilíbrio.

Todavia, as razões também poderiam ser mais complexas. Afinal, a margem natural de sobrevivência de um bebê do sexo feminino permanece a mesma ao longo de sua vida inteira. As meninas não só nascem sobreviventes, elas crescem para sobreviver melhor também.

“As mulheres parecem ter melhores perspectivas de sobrevivência que os homens em praticamente qualquer idade”, confirma Steven Austad, chefe do departamento de biologia da Universidade do Alabama, em Birmingham, e especialista internacional em envelhecimento. Ele descreve as mulheres como mais “robustas”. É um fenômeno tão evidente e inegável que alguns cientistas acreditam que a compreensão disso possa conter a chave para a longevidade humana.

Na virada do milênio, Austad começou a investigar exatamente o que é que ajuda as mulheres a sobreviver aos homens em todos os estágios da vida. “Eu me perguntava se esse era um fenômeno recente. Seria algo que acontece apenas em países industrializados dos séculos XX e XXI?” Pesquisando a Human Mortality Database [Base de dados sobre mortalidade humana], uma coletânea de registros de longevidade do mundo inteiro fundada por pesquisadores alemães e norte-americanos em 2000, ele se surpreendeu ao descobrir que o fenômeno, na realidade, transcende o tempo e o espaço.

A base de dados abrange, hoje, 38 países e regiões. O exemplo preferido de Austad é a Suécia, que mantém dados demográficos mais minuciosos e confiáveis que os de qualquer outro país. Em 1800, a expectativa de vida de quem nascia na Suécia era de 33 anos para mulheres e 31 para homens. Em 2015, era por volta de 83 para mulheres e 79 para homens. “As mulheres são mais robustas que os homens. Acho que não há dúvida disso”, diz Austad. “Isso era verdadeiro na Suécia do século XVIII, é verdadeiro em Bangladesh, na Europa e nos Estados Unidos do século XXI.”

Pergunto a Austad se as mulheres poderiam estar sobrevivendo naturalmente aos homens por razões sociais. É razoável pensar, por exemplo, que os meninos sejam geralmente tratados com mais aspereza que as meninas. Ou que seja maior o número de homens que de mulheres que aceitam empregos arriscados, como de construção e mineração, o que também os expõe a ambientes tóxicos. E sabemos que, ao todo, no mundo inteiro, o número de homens que fumam é muito maior que o de mulheres, o que eleva drasticamente os índices de mortalidade. Mas Austad está convencido de que, por ser tão acentuada, universal e atemporal, essa diferença deve indicar a existência de características, no corpo da mulher, que a expliquem. “Para dizer a verdade, é difícil imaginar que o motivo seja relativo ao meio”, diz ele.

O quadro dessa margem superior de sobrevivência é ainda mais evidente no fim da vida. O Grupo de Pesquisas em Gerontologia dos Estados Unidos mantém uma lista on-line de todas as pessoas do mundo que têm confirmadamente mais de 110 anos de idade. Verifiquei o site pela última vez em julho de 2016. De todos os “supercentenários” em sua listagem, apenas dois eram homens. Quarenta e seis eram mulheres.

No entanto, não sabemos por quê.

“Estou absolutamente intrigado com isso”, diz Austad. “Quando comecei a pesquisar sobre esse assunto, eu esperava encontrar uma enorme quantidade de literatura a esse respeito, e não encontrei quase nada. Existe muita literatura sobre ‘Isto é uma diferença entre homens e mulheres?’, mas muito pouco sobre a biologia que explica essa diferença na margem de sobrevivência. É uma das características mais patentes da biologia humana de que temos notícia e, apesar disso, foi muito pouco investigada.”

Há mais de um século, os cientistas estudam arduamente nossa anatomia, e até chegaram a coletar milhares de litros de urina de cavalo em suas tentativas de isolar as substâncias químicas que fazem homens mais masculinos e mulheres mais femininas. Sua busca por diferenças entre os sexos não conhece limites. Porém, quando a questão é por que as mulheres talvez sejam fisicamente mais robustas que os homens — por que sobrevivem mais e melhor —, as pesquisas são escassas. Mesmo hoje, apenas trabalhos dispersos e isolados indicam respostas.

“É um fato básico da biologia”, observa Kathryn Sandberg, diretora do Centro de Estudo de Diferenças de Sexo em Saúde, Envelhecimento e Doenças da Universidade de Georgetown, em Washington, D.C. Ela investigou em que medida as doenças desempenham algum papel na questão da maior sobrevivência das mulheres. “As mulheres vivem uns cinco ou seis anos a mais que os homens em quase todas as sociedades, e isso acontece há séculos. Em primeiro lugar, existem diferenças na idade em que as doenças começam. Assim, por exemplo, as doenças cardiovasculares ocorrem muito mais cedo em homens que em mulheres. O aparecimento da hipertensão, que é a pressão alta, também ocorre muito mais cedo em homens que em mulheres. Existe ainda uma diferença entre os sexos no tocante ao ritmo de progressão das doenças. Se observarmos, por exemplo, doenças renais crônicas, o ritmo de progressão é mais rápido em homens que em mulheres.” Mesmo em estudos laboratoriais com animais, dentre eles ratos e cães, as fêmeas se saem melhor que os machos, acrescenta ela.

Ao examinar minuciosamente os dados, pesquisadores como ela, Joy Lawn e Steven Austad acabaram percebendo toda a abrangência e difusão dessas discrepâncias. “Eu supunha que tais diferenças fossem um mero produto da moderna sociedade ocidentalizada, ou que fossem ocasionadas pelas diferenças em doenças cardiovasculares”, diz Austad. “Quando comecei a investigar, descobri que as mulheres tinham resistência a quase todas as principais causas de morte.” Um de seus artigos mostra que, em 2010, nos Estados Unidos, a proporção de mulheres que morreram de doze das quinze causas mais comuns de morte, dentre elas o câncer e as doenças cardíacas, foi menor que a de homens que morreram das mesmas causas, quando avaliados por faixa etária. Dentre as três exceções, a probabilidade de morrerem de Mal de Parkinson ou de um derrame foi mais ou menos a mesma. E elas tinham maiores chances que os homens de morrer de Mal de Alzheimer.

Quando se trata de combater infecções causadas por vírus e bactérias, as mulheres também parecem ser mais resistentes. “Se a infecção é gravíssima, é maior a possibilidade de que sobrevivam. No que diz respeito à duração da infecção, as mulheres responderão mais depressa, e a infecção desaparecerá mais rápido nas mulheres que nos homens”, diz Kathryn Sandberg. “Se observarmos todos os diferentes tipos de infecções, as mulheres apresentam uma resposta imune mais vigorosa.” Não é que as mulheres não adoeçam. Elas adoecem. Elas apenas não morrem dessas doenças com a mesma facilidade ou rapidez que os homens.

Uma explicação para essa discrepância é que os níveis mais elevados de estrógeno e progesterona nas mulheres talvez as protejam de alguma maneira. Tais hormônios não só deixam o sistema imunológico mais forte, como também mais flexível, de acordo com Sabine Oertelt-Prigione, pesquisadora do Instituto de Gênero em Medicina no Hospital da Universidade Charité, em Berlim. “Isso está associado ao fato de mulheres poderem gestar filhos”, explica ela. Uma gravidez equivale a um tecido estranho em crescimento dentro do corpo da mulher e, se seu sistema imunológico não estivesse funcionando adequadamente, aquele tecido seria rejeitado. “É preciso um sistema imunológico capaz de passar de reações pró-inflamatórias a reações anti-inflamatórias para evitar um aborto toda vez que se engravida. O sistema imunológico precisa ter um mecanismo que possa, de um lado, ativar todas essas células para que se reúnam em um único lugar e atacar quaisquer agentes que estejam provocando uma doença. Mas também é necessário ser capaz de fazer cessar essa resposta quando os agentes já não estão presentes, a fim de evitar danos a tecidos e órgãos.”

As alterações hormonais que afetam o sistema imunológico de uma mulher durante a gravidez também ocorrem, em menor escala, durante seu ciclo menstrual, e pelas mesmas razões. “As mulheres têm um sistema imunológico mais plástico, que se adapta de diversas formas”, diz Oertelt-Prigione. No corpo, muitos tipos de células estão relacionados à imunidade, mas o tipo que entra em contato mais direto com vírus e bactérias é conhecido como células-t. Elas injetam substâncias nas bactérias para matá-las, ou secretam outras substâncias que convocam mais células a agir, algumas das quais “comem” células infectadas e bactérias, como o Pac-Man no jogo de video game, explica ela. Os pesquisadores sabem que um certo tipo de células-T, crucial para controlar a resposta do corpo a infecções, torna-se ativo na segunda metade do ciclo menstrual da mulher, quando ela está apta a engravidar.

A descoberta de que hormônios sexuais e imunidade podem estar associados é bastante recente. Em homens, os cientistas vêm explorando relações entre testosterona e imunidade mais baixa, embora os indícios sejam relativamente escassos. Em 2014, por exemplo, pesquisadores da Universidade Stanford descobriram que homens com os níveis mais altos de testosterona tinham a resposta mais baixa de anticorpos a uma vacina de gripe, o que significa que eram provavelmente os menos protegidos pela vacina. Por ora, no entanto, essa é uma relação ainda não comprovada. Nas mulheres, a relação é muito mais evidente, tanto que as próprias pacientes notavam tais flutuações. Por anos, os médicos acreditaram que a imunidade da mulher não variava durante seu ciclo menstrual. Se ela relatasse uma diferença nos níveis de dor, os médicos não levariam a queixa em consideração, atribuindo-a à tensão pré-menstrual ou a alguma vaga queixa de caráter psicológico. Foi apenas quando tais correlações passaram a ser cada vez mais comprovadas por pesquisas concretas que o interesse científico pela questão despertou e começaram a surgir novas pesquisas.

Esse problema permeia todo o campo de pesquisas sobre saúde feminina. Se um fenômeno acomete mulheres e apenas mulheres, ele é, em via de regra, mal compreendido. E isso se agrava pelo fato de que, embora tenham melhor desempenho quando se trata de sobreviver, as mulheres não são mais saudáveis que os homens. Na realidade, é o contrário.

“Se pudéssemos somar toda a dor que existe no mundo, toda a dor física, creio que as mulheres sentiriam uma parcela muito, muito maior dela. Esse é um dos castigos de se ter melhores chances de sobrevivência. Você sobrevive, mas talvez não tão intacta como era antes”, diz Steven Austad. Em termos estatísticos, isso poderia explicar por que as mulheres parecem ficar proporcionalmente mais doentes que os homens. “O motivo de haver mais mulheres que homens com problemas de saúde está relacionado, em parte, ao fato de que as mulheres sobrevivem a eventos que matariam os homens e, portanto, esses homens já não estão entre nós.”

Outro motivo é que o sistema imunológico feminino é tão poderoso que pode, por vezes, voltar-se contra si mesmo. “Você começa a se considerar um corpo estranho e seu sistema imunológico passa a atacar suas próprias células”, explica Kathryn Sandberg. Doenças desse tipo são conhecidas como distúrbios autoimunes. Dentre os mais comuns estão a artrite reumatoide, o lúpus e a esclerose múltipla. “No que diz respeito ao sistema imunológico, trata-se de algo como uma faca de dois gumes. Em alguns aspectos, é melhor ter um sistema imunológico feminino se você está combatendo qualquer tipo de infecção, mas, por outro lado, somos mais suscetíveis a doenças autoimunes, que são muito problemáticas.”

Isso não quer dizer que as doenças autoimunes são sempre mais cruéis para as mulheres. Quando homens têm esclerose múltipla, o distúrbio tende a ser pior. As mulheres também sobrevivem por mais tempo com a doença do que os homens. Apesar disso, dentre os quase 8% de norte-americanos que sofrem de doenças autoimunes, as estimativas sugerem que ao menos três quartos são mulheres.

“Quanto às doenças autoimunes, quase todas elas tendem a piorar pouco antes do ciclo menstrual em mulheres que estão na pré-menopausa”, diz Sabine Oertelt-Prigione. Do mesmo modo que a variação dos níveis hormonais pode aumentar a imunidade da mulher em momentos diferentes do mês, há teorias que dizem que essa variação também pode afetar a experiência feminina da doença. Existem relatos, por exemplo, de que mulheres com asma correm o máximo risco de uma crise pouco antes ou no início da menstruação. À medida que os níveis de estrógeno e progesterona caem nos anos que se seguem ao início da menopausa, a vantagem imunológica da mulher começa a diminuir.

Também no que diz respeito a infecções virais, a forte resposta imunológica da mulher pode ser tanto um problema quanto uma bênção. Uma pesquisa sobre gripe realizada por Sabrina Klein, imunologista na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, em Baltimore, mostra que, embora as mulheres sejam, em regra, acometidas por menos vírus durante uma infecção, elas tendem a sofrer de sintomas mais severos de gripe que os homens. Ela conclui que o motivo disso talvez seja que o sistema imunológico das mulheres organiza contra-ataques mais fortes contra vírus, mas, em seguida, sofre com o impacto dos efeitos desses contra-ataques no corpo.

As mulheres também tendem a ter doenças articulares e musculares mais dolorosas, observa Steven Austad. Em parte, isso é causado por doenças autoimunes que afetam as articulações, como a artrite. O desgaste físico do parto e as alterações hormonais da menopausa também podem ocasionar problemas e deficiências de caráter físico nas mulheres, principalmente em idade avançada. Sabe-se que a densidade óssea cai logo após a gravidez e depois da menopausa. O ganho de peso também é reconhecido, hoje, como um sintoma da menopausa.

No entanto, o quadro geral de dor e saúde frágil é complexo. “Nas diversas culturas, as mulheres apenas relatam mais limitações físicas e mais deficiências. É algo realmente difundido”, diz Austad. Porém, no que diz respeito aos indícios biológicos das razões fundamentais para essa diferença entre os sexos no tocante a doenças e sobrevivência, ele acrescenta: “Não tenho muita certeza com relação a nenhuma explicação”.

É difícil separar a biologia de outros efeitos. Por vezes, a sociedade e o ambiente podem ter um impacto maior sobre o adoecimento do que a biologia básica de uma pessoa. “As mulheres são menos propensas que os homens a irem ao hospital quando estão sentindo dores no peito”, diz Kathryn Sandberg, que estuda diferenças de gênero especificamente em doenças cardíacas. Existem inúmeras outras diferenças entre os hábitos masculinos e femininos de cuidados com a saúde no mundo inteiro. Sabine Oertelt-Prigione destaca que, nos lugares em que as famílias comem de forma coletiva e o alimento é escasso, as mulheres são, às vezes, as últimas a comer e provavelmente não se alimentam, o que pode aumentar o risco de desnutrição. Isso, por sua vez, pode afetar sua suscetibilidade a doenças.

A saúde de uma mulher pode ser afetada não só por seu próprio comportamento, mas pelo comportamento daqueles que estão à sua volta. Desde o instante em que uma mulher nasce, ela é colocada em um lugar diferente de um homem. Ela pode ser tocada, alimentada e tratada de maneira diversa. E isso marca o início de toda uma vida de diferenças também na maneira como médicos e pesquisadores médicos a abordam. Por exemplo, apenas recentemente é que os médicos começaram a reconhecer a intensidade das dores menstruais de algumas mulheres. Em 2016, o professor de saúde reprodutiva da University College de Londres, John Guillebaud, disse a um jornalista que a dor menstrual pode ser “quase tão terrível como a de um infarto”, e admitiu que o problema não tem recebido a atenção que merece, em parte, porque os homens não sofrem dele. Em 2015, uma equipe de pesquisadores britânicos que estudava diagnósticos de câncer no Reino Unido descobriu que levava mais tempo para que mulheres fossem diagnosticadas com o problema após ir ao médico em seis tipos de câncer que afetam tanto homens como mulheres, dentre eles o de bexiga e o de pulmão. Nos casos de câncer gástrico, uma mulher esperava, em média, duas semanas inteiras a mais pelo diagnóstico.

Se existem diferenças biológicas fundamentais entre os sexos no que diz respeito à saúde e tais diferenças não se devem, em sua maioria, à sociedade e à cultura, então os cientistas precisam ir mais fundo na pesquisa do corpo para encontrá-las.

“Mulheres adoecem mais, mas homens morrem mais cedo”, diz Arthur Arnold, professor na Universidade da Califórnia, Los Angeles. É um adágio antigo que circulava entre seus estudantes de graduação e reflete o que médicos do mundo todo já notaram. Arnold está convencido de que ele revela as longas raízes das diferenças entre os sexos no tocante à saúde. O professor gerencia um laboratório que estuda os fatores biológicos que diferenciam mulheres de homens e edita o periódico Biology of Sex Differences. Seu trabalho o levou para além da pesquisa de órgãos e hormônios sexuais até chegar ao nível fundamental dos genes.

O corpo humano é constituído de trilhões de células. Cada uma delas armazena informações genéticas em unidades conhecidas como cromossomos, que explicam ao nosso corpo como ele deve construir a si mesmo, desde os hormônios mais sutis até a pele e os ossos. Temos 46 cromossomos ao todo, divididos em 23 pares, e as raízes das diferenças genéticas entre homens e mulheres encontram-se no vigésimo terceiro par, conhecido por conter os cromossomos sexuais. Nas mulheres, eles são chamados XX: um cromossomo X herdado da mãe, e o outro, do pai. Os cromossomos sexuais dos homens são chamados XY: o X vem da mãe, ao passo que o Y, do pai. Por muito tempo, supunha-se que esses cromossomos sexuais estavam relacionados, sobretudo, com a reprodução e nada mais que isso. Hoje, alguns cientistas, dentre eles Arnold, acreditam que as consequências dessa diferença genética aparentemente minúscula talvez tenham uma abrangência muito maior.

Cada cromossomo de um par carrega os mesmos genes nos mesmos locais, conhecidos como alelos. O gene para cor de olhos oriundo do pai de uma pessoa, por exemplo, será combinado com outro gene para cor de olhos, oriundo da mãe, no mesmo local. Isso também se aplica aos dois cromossomos X de um indivíduo do sexo feminino. Contudo, para os indivíduos do sexo masculino, que têm cromossomos sexuais XY, nem sempre há um alelo correspondente. Os cromossomos X e Y não têm os mesmos genes nos mesmos locais. Na realidade, o Y é muito menor que o X.

Ter uma única cópia dos genes no cromossomo x pode resultar em repercussões no corpo de um homem. “Há muito tempo se pensa, e existem fortes indícios para tanto, que a presença de duas versões dos genes protege as mulheres de certas doenças ou de mudanças ambientais”, diz Arnold. Se um homem por acaso sofrer uma mutação genética em um dos genes de seu cromossomo X e essa mutação causar uma doença ou deficiência, é impossível evitá-la. Uma mulher, por outro lado, terá um cromossomo X extra para neutralizar a mutação, a menos que ela tenha a infelicidade de sofrer da mesma mutação genética em ambos os cromossomos X, um de cada genitor. “Um caso simples seria o de um gene que funcione melhor quando está frio e outro que funcione melhor quando faz calor. Uma mulher com esses dois alelos poderá gozar de boa saúde tanto quando faz calor como quando está frio. O homem tem apenas uma chance. Ele tem somente uma cópia. Portanto, ou seu corpo funciona melhor quando faz calor, ou funciona melhor quando está frio, mas não em ambas as coisas.”

Existem alguns traços genéticos bastante comuns a que os homens são mais suscetíveis que as mulheres tão somente por terem um único cromossomo X. Esses distúrbios relacionados ao cromossomo X incluem o daltonismo, a hemofilia, a distrofia muscular e a síndrome IPEX, que afeta a função imunológica. O retardamento mental, que acomete de 2% a 3% das pessoas nos países desenvolvidos, e significativamente mais homens que mulheres, tem íntima relação com o cromossomo X.

Esse é um dos motivos pelos quais, em uma tentativa de compreender as diferenças entre os sexos no que diz respeito à saúde, Arthur Arnold optou por concentrar-se no estudo dos cromossomos. “Recuamos às diferenças biológicas mais básicas entre homens e mulheres. No instante da fertilização do ovo, a única coisa que sabemos ser diferente entre indivíduos do sexo masculino e do sexo feminino são os cromossomos sexuais. Então, tudo tinha de vir dali […], tudo leva aos cromossomos sexuais.”

“A única coisa que sabemos de doenças relacionadas ao cromossomo X é que elas são muito raras”, diz Steven Austad. “Mas acredito que existam muito mais doenças relacionadas ao cromossomo X do que imaginamos. Acho que isso provavelmente explica uma parte considerável das diferenças entre os sexos.” Um exemplo é o vírus sincicial respiratório que infecta os pulmões e as vias aéreas e é uma das principais causas de bronquite em crianças com menos de um ano na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Pesquisadores descobriram que o vírus tende a acometer meninos muito mais que meninas e que algo no interior de um gene específico do cromossomo X pode ser responsável por isso.

Sabine Oertelt-Prigione concorda que possa haver genes relacionados com a rápida recuperação, a imunidade e a suscetibilidade a doenças no cromossomo X humano que ainda não foram descobertos ou compreendidos. “Na escola, ensinaram-nos que o X e o y estão basicamente associados à função sexual. E só. Ninguém esperava nada além disso, à época, e estou falando de vinte anos atrás. Então, aos poucos, as coisas começaram a mudar.”

Em 1961, a geneticista inglesa Mary Frances Lyon descobriu que, muito embora as mulheres tenham dois cromossomos X, um deles é aleatoriamente inativado em cada célula. Em outras palavras, apenas um deles funciona de fato. Portanto, a mulher é um mosaico genético em que algumas células têm genes de um cromossomo X e outras células têm genes do outro. Mais recentemente, pesquisadores descobriram que alguns dos genes do segundo cromossomo X não ficam, de fato, inativos. Christine Disteche, professora de patologia na Universidade de Washington, Seattle, e uma das maiores pesquisadoras do mundo em inativação do cromossomo X, descreve tais genes como “pequenas ilhas de fuga”. Em 2009, pesquisadores da Faculdade Estadual de Medicina Penn calcularam a somatória desses genes não inativados e descobriram que eles constituem 15% dos genes do segundo cromossomo X. “Estamos agora estudando enormes bancos de dados sobre diferenças na expressão de genes em indivíduos do sexo masculino e do sexo feminino, em seres humanos e ratos, para tentar constatar qual é a extensão real de tais diferenças”, comenta Disteche.

“A descoberta de que um dos dois não é inativado por completo leva a especulações acerca de muitos aspectos interessantes da vida para as mulheres. Pode ser a razão pela qual vivemos mais tempo”, sugere Oertelt-Prigione.

O problema para todos os pesquisadores nessa área é a dificuldade de separar o impacto do cromossomo X de todos os demais fatores que podem levar uma pessoa a adoecer ou morrer. A maioria das doenças não parece estar associada a um único gene, nem mesmo a alguns genes, da mesma forma como estão os distúrbios relacionados ao cromossomo X, como a hemofilia e a distrofia muscular. As enfermidades que matam muitos de nós, tais como as doenças cardiovasculares, são mais complicadas que isso. Os genes de um segundo cromossomo X poderiam afetar o modo como o coração funciona, por exemplo?

A fim de responder essa pergunta, Arthur Arnold e sua equipe utilizam um tipo especial de animal de laboratório, que não apresenta absolutamente nenhuma diferença entre seus indivíduos machos e fêmeas, exceto pelo número de cromossomos X que eles possuem. Na natureza, tais criaturas não existem. Todavia, valendo-se de modificação genética, os cientistas conseguem chegar muito perto de criá-la. Uma vez que os hormônios sexuais exercem efeitos muitos óbvios no corpo de machos e fêmeas antes mesmo do nascimento (sem os andrógenos, por exemplo, um macho não desenvolveria gônadas masculinas), pesquisadores criaram para Arnold ratos de laboratório que não produzem tais hormônios. Os ratos assim desenvolvidos têm cromossomos XY, como os machos, mas também ovários, como as fêmeas. Isso permitiu que Arnold comparasse fêmeas XY geneticamente modificadas com fêmeas XX normais. A única diferença entre elas deveria estar nos cromossomos. Se houvesse diferença na saúde delas, isso se daria tão somente por causa da atuação de seus genes.

Os resultados mostraram uma relação entre o número de cromossomos X de um rato e sua saúde. Arnold descreve “três casos impressionantes”. Quando ele e sua equipe investigavam o peso corporal dos animais, descobriram que os ratos engordavam se tivessem as gônadas removidas. No entanto, os espécimes com dois cromossomos X engordavam muito mais que aqueles com apenas um. Isso reflete algo que vemos em seres humanos adultos — as mulheres tendem a ter uma porcentagem maior de massa gorda no corpo que os homens. “O segundo exemplo é que, se provocarmos um infarto no rato, os animais com dois cromossomos X ficam piores do que aqueles com um cromossomo X”, diz Arnold. “E o terceiro exemplo no modelo com ratos está relacionado à esclerose múltipla. Induzimos nos ratos uma doença semelhante à esclerose múltipla, e os animais que são XX ficam piores que os animais que são XY.” Sendo uma doença autoimune, a esclerose múltipla em seres humanos afeta mais mulheres que homens.

A lição que tiramos dessa pesquisa é que muitas das diferenças entre os sexos que notamos no campo da saúde têm profundas raízes genéticas. “O estudo de modelos com ratos apresentou provas convincentes de que células com dois cromossomos X são intrinsecamente diferentes daquelas com um único cromossomo X. Diferenças entre os sexos derivadas do número de cromossomos X podem ter grande influência no desenvolvimento de doenças”, escreveram Arnold e seus colegas no artigo sobre o experimento, publicado em 2016 no periódico Philosophical Transactions of the Royal Society of London Series B.

Mas nem todos estão convencidos dos resultados. Algumas pessoas não têm muita certeza se roedores podem oferecer tantas luzes sobre o assunto como acredita Arnold. “Pessoalmente, não sou muito fã de ratos”, diz Sabine Oertelt-Prigione. “Não sei até que ponto as descobertas em ratos podem ser aplicadas a seres humanos […], acho que eles nos deram muitas informações, mas eu me pergunto, neste momento, até onde deveríamos seguir por essa trilha.”

Outras críticas vão além. Em seu livro de 2013, Sex Itself: The Search for Male and Female in the Human Genome [O sexo: a busca pelo masculino e pelo feminino no genoma humano], a professora de ciências sociais da Universidade de Harvard, Sarah Richardson, questiona a ideia de que cada célula do corpo é intrinsecamente diferente dependendo do sexo de alguém, e que isso leva às discrepâncias que vemos entre homens e mulheres. “Há um consenso geral entre os cientistas sociais no sentido de que a genômica está transformando as relações sociais”, escreve ela. “O mesmo se pode dizer das pesquisas genéticas sobre sexo e gênero.” Arthur Arnold, por exemplo, descreve o efeito de fatores polarizados em sexo em nossos genes como um “sexoma” (como o genoma, mas para diferenças entre os sexos). “Pode-se pensar na célula como uma espécie de grande rede”, conta-me ele. “Indivíduos do sexo masculino e do sexo feminino são diferentes porque têm níveis diferentes de fatores polarizados em sexo, e esses fatores puxam a rede em vários pontos.” Essa ideia sugere que, embora os cromossomos sexuais constituam apenas um dos 23 pares de cromossomos que temos, seus efeitos são muito abrangentes.

Richardson alerta sobre o perigo de esse foco na genética tornar-se uma explicação generalizada para as diferenças entre os sexos, por causa do modo como ele obscurece os efeitos da sociedade e da cultura, bem como de outros fatores biológicos na questão. Sabe-se, por exemplo, que idade, peso e raça têm enorme impacto sobre a saúde. Os hormônios também são importantes. Ela observa que o conjunto de indícios genéticos no tocante a diferenças entre os sexos pinta um retrato impressionante de semelhanças. De fato, o próprio Arnold admitiu, ao conversar comigo, que sua ideia do sexoma é “mais uma expressão eloquente” do que uma teoria sólida corroborada por pesquisas.

O debate em torno da extensão da linha divisória entre mulheres e homens continua com ferocidade dentro da comunidade científica. Recentemente, ele tem sido intensificado por uma fúria justamente com relação ao problema oposto: o hábito de pesquisas médicas deixarem mulheres de fora de testes para novas drogas, porque se acredita que o corpo feminino seja semelhante ao masculino.

“É muito mais barato estudar um único sexo.”

“Encaremos os fatos. Todos os membros da comunidade biomédica passam a vida estudando um sexo ou o outro. E, em geral, os homens é que são estudados”, diz Steven Austad. No que diz respeito ao mecanismo básico de nosso corpo, os cientistas normalmente presumem que estudar um sexo equivale a estudar o outro.

“Certa vez, pesquisei a literatura sobre restrições alimentares em roedores”, conta Austad. “Existem centenas e centenas de estudos. E percebei que havia apenas uns poucos que incluíam ambos os sexos. E, para mim, isso apenas ilustra o fato de que as pessoas parecem estar dispostas a generalizar as informações de um sexo, presumindo simplesmente que tudo o que descobrem será aplicável ao outro sexo.”

Em 2011, a pesquisadora de saúde Annaliese Beery, da Universidade da Califórnia em San Francisco, e o biólogo Irving Zucker, da Universidade da Califórnia em Berkeley, publicaram um estudo que investigava as tendenciosidades relacionadas ao sexo em pesquisas animais em um ano-amostra: 2009. Dentre os dez ramos científicos que eles investigaram, oito mostravam uma preferência pelos machos. Em farmacologia, o estudo de drogas para finalidades médicas, os artigos que relatavam experiências apenas com machos superavam, em número, aqueles que relatavam estudos feitos apenas com fêmeas, em uma proporção de cinco para um. Em fisiologia, o ramo da ciência que estuda o funcionamento de nosso corpo, a proporção foi de quase quatro para um.

Essa é uma questão que também permeia outros campos da ciência. Nas pesquisas sobre a evolução dos órgãos genitais (partes do corpo que sabemos, com certeza, ser diferentes entre os sexos), cientistas também tendem a estudar os indivíduos do sexo masculino. Em 2014, biólogos da Universidade Humboldt, em Berlim, e da Universidade Macquarie, em Sydney, analisaram mais de trezentos artigos sobre evolução de genitália, publicados entre 1989 e 2013. Eles descobriram que quase metade analisava apenas os machos da espécie, ao passo que apenas 8% analisava tão somente fêmeas. A repórter Elizabeth Gibney descreveu isso como “o caso das vaginas perdidas”.

No tocante às pesquisas de saúde, a questão é mais complexa, algo mais que uma simples tendenciosidade. Até cerca de 1990, era comum que experimentos médicos fossem realizados quase que exclusivamente em homens. Havia bons motivos para isso. “Ninguém quer dar a droga experimental a uma mulher grávida, e ninguém vai querer dar a droga experimental a uma mulher que não sabe que está grávida, mas está”, diz Arthur Arnold. O legado terrível de mulheres que foram medicadas com talidomida para enjoo matinal na década de 1950 provou aos cientistas que eles precisam ter muito cuidado antes de ministrar drogas a mulheres grávidas. Milhares de crianças nasceram com deficiências antes que a talidomida fosse retirada do mercado.

“As mulheres em idade reprodutiva são excluídas dos experimentos, o que significa não incluir uma enorme parcela delas”, prossegue Arnold. Os níveis hormonais flutuantes da mulher também podem interferir no modo como ela responde a uma droga. Os níveis hormonais dos homens são mais regulares. “É muito mais barato estudar um único sexo. Então, quando é preciso escolher um sexo como objeto de estudo, a maioria das pessoas evita os indivíduos do sexo feminino porque eles têm esses hormônios caóticos […] Por isso, as pessoas migram para o estudo dos indivíduos do sexo masculino. Em algumas disciplinas, há uma preferência realmente constrangedora pelo masculino.”

Hoje, os pesquisadores percebem que essa tendência de foco nos indivíduos do sexo masculino pode ter prejudicado a saúde das mulheres. “Embora houvesse algumas razões para que se evitasse fazer experimentos em mulheres, isso surtiu o efeito indesejado de produzir muito mais informações sobre o tratamento de homens que de mulheres”, explica Arnold. Um livro de 2010 sobre o progresso na abordagem dos problemas de saúde femininos, escrito em conjunto com o Comitê de Pesquisas da Saúde da Mulher, que orienta os Institutos Nacionais de Saúde (NIH — National Institutes of Health) dos Estados Unidos, observa que doenças autoimunes — que afetam muito mais mulheres que homens — ainda são menos compreendidas que algumas outras condições: “Apesar de sua alta incidência e morbidez, fez-se pouco progresso em direção a uma melhor compreensão de tais condições, à identificação de fatores de risco ou à descoberta de uma cura”.

Outro problema é que as mulheres podem apresentar uma resposta diferente da resposta dos homens a certas drogas. Em meados do século XX, pesquisadores médicos costumavam supor que isso não era um problema. “Havia uma ideia de que as mulheres eram mais como pequenos homens. De que, se este tratamento funciona em homens, ele funcionará em mulheres”, diz Janine Clayton, diretora do Departamento de Pesquisas de Saúde da Mulher no nih de Washington, D.C., que custeia a grande maioria das pesquisas de saúde nos Estados Unidos.

Hoje se sabe que isso não é necessariamente verdadeiro. Em 2001, o dermatologista Marius Rademaker, radicado na Nova Zelândia, estimou que as mulheres são uma vez e meia mais propensas que os homens a apresentar reações adversas a uma droga. No ano de 2000, o Government Accountability Office dos Estados Unidos [órgão semelhante à Controladoria Geral da União no Brasil] analisou os dez medicamentos controlados retirados do mercado desde 1997 pela US Food and Drug Administration (FDA). Estudando casos relatados de efeitos adversos, a agência descobriu que oito deles ofereciam maiores riscos à saúde da mulher que do homem. Os medicamentos retirados do mercado incluíam dois supressores de apetite, dois anti-histamínicos e um medicamento para diabetes. Quatro deles eram simplesmente dados a muito mais mulheres que homens, mas os outros quatro apresentaram tais efeitos adversos mesmo quando homens os tomavam em números mais equivalentes.

“O que é preocupante é o fato de que havia efeitos colaterais bastante sérios, não apenas algo secundário, mas um efeito adverso muito sério que resultou na retirada do medicamento do mercado. Acho que isso nos diz que estamos vendo somente a ponta do iceberg nessa questão”, conta Janine Clayton. Isso se tornou objeto de enorme preocupação para ativistas da saúde da mulher, em especial nos Estados Unidos, e tem sido uma das diretivas do Departamento de Pesquisas de Saúde da Mulher desde 1990.

“Como clínicos, sabemos muito bem que as doenças aparecem de forma diferente em homens e mulheres. Todos os dias, na sala de emergência, homens e mulheres com a mesma moléstia apresentam sintomas diversos”, diz Clayton. “Assim, infartos, por exemplo, têm sintomas diferentes. Nossas pesquisas mostram que mulheres em vias de ter um infarto do miocárdio são mais propensas a apresentar sintomas como insônia, fadiga crescente, dor em qualquer ponto, desde a cabeça até o peito, nas semanas que antecedem a ocorrência do infarto. Por outro lado, é menos provável que homens apresentem tais sintomas, e mais provável que apresentem a clássica dor fortíssima no peito.” Diante de diferenças como essas, a pesquisadora acredita que todos os anos de exclusão das mulheres nos testes de medicamentos devem ter prejudicado a saúde feminina. “Com certeza há uma possibilidade real de que a razão para a existência de mais efeitos adversos em mulheres que em homens seja que todo o processo de descoberta de drogas terapêuticas é tremendamente voltado para o indivíduo do sexo masculino”, concorda Kathryn Sandberg.

Mais uma vez, porém, essa linha de raciocínio oferece o risco da criação de divisões entre mulheres e homens quando o quadro das doenças é muito mais complexo. Embora haja um benefício evidente na maior compreensão do corpo feminino e na existência de medicamentos que sejam adequados a ambos os sexos, a ênfase na diferença entre mulheres e homens começa a deixar a impressão de que o corpo feminino é de Vênus, e o corpo masculino, de Marte. “Diante da história bem documentada dos problemas metodológicos na pesquisa de diferenças entre os sexos, bem como dos abusos deletérios de alegações de diferença de sexo por parte daqueles que desejavam limitar as oportunidades das mulheres, é impressionante notar que ativistas da saúde feminina estejam provendo, quase sem ressalvas, o amplo quadro de diferenças entre os sexos na biologia dos sexos”, escreve Sarah Richardson em Sex Itself.

Mas tem de ser um ou outro? A única alternativa para que as mulheres deixem de ser consideradas “pequenos homens” é tratá-las como um tipo completamente diferente de paciente? À medida que as pesquisas se tornam mais detalhadas, fica mais claro que perceber algumas variações entre mulheres e homens no tocante a saúde e sobrevivência não significa que precisamos descartar a ideia de que o corpo feminino e o masculino são, na realidade e em sua maior parte, semelhantes.

A seguinte história sobre duas drogas traz uma advertência.

A primeira delas é a digoxina, que por muito tempo foi usada no tratamento de insuficiência cardíaca. Em 2002, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale decidiram consultar os dados a respeito da droga, analisando seus efeitos em cada sexo. Entre 1991 e 1996, outros pesquisadores haviam realizado testes aleatórios em pacientes cardíacos que usavam digoxina. Eles descobriram que a substância não afetava o tempo de vida do paciente, mas reduzia, em média, seu risco de hospitalização. Os pesquisadores de Yale notaram que a droga era testada em cerca de quatro vezes mais homens que mulheres, e que eles não respondiam do mesmo modo. Uma proporção levemente maior de mulheres que tomavam digoxina morreu mais cedo que aquelas que tomavam um placebo. Nos homens, as diferenças entre aqueles que tomavam a droga e o grupo que tomava o placebo eram muito menores. A equipe de Yale concluiu que a diferença de sexo “teria sido subsumida pelo efeito da terapia com digoxina entre os homens”.

No entanto, a ciência nunca para. Posteriormente, descobriu-se que o resultado da pesquisa de Yale não era o que parecia. Estudos mais recentes, dentre eles um que tinha por amostra um grupo muito maior e que foi publicado no British Medical Journal em 2012, sugerem que, na realidade, não há um risco substancialmente aumentado de morte em mulheres pelo uso de digoxina.

O segundo exemplo é o da droga zolpidem, para insônia, que é vendida nos Estados Unidos sob o nome comercial Ambien. A dificuldade para dormir é um grande negócio para empresas farmacêuticas. Cerca de 60 milhões de comprimidos para dormir foram prescritos nos Estados Unidos em 2011, em comparação com os 47 milhões prescritos apenas cinco anos antes, de acordo com dados reunidos pela empresa de inteligência em cuidados com a saúde IMS Health. E o Ambien está entre os mais populares. Contudo, seus efeitos colaterais incluem reações alérgicas severas, perda de memória e a possibilidade de causar dependência. Os efeitos do zolpidem também podem provocar sonolência no dia seguinte, o que torna perigoso dirigir. Muito depois de a droga ter sido aprovada para colocação no mercado, surgiram pesquisas que diziam que mulheres medicadas com a mesma dose que homens estavam mais propensas a sofrer dessa sonolência matinal. Oito horas depois de tomar o zolpidem, 15% das mulheres, contra apenas 3% dos homens, tinham no organismo uma quantidade da droga que era suficiente para aumentar o risco de acidentes de trânsito.

No início de 2013, a us Food and Drug Administration tomou a decisão histórica de diminuir a dose inicial recomendada de Ambien, reduzindo-a à metade para mulheres. “O zolpidem é uma espécie de caso emblemático”, diz Arthur Arnold.

Novamente, porém, assim como no caso da digoxina, a descoberta precisava ser esmiuçada um pouco mais. Em 2014, uma pesquisa adicional para investigar os efeitos do zolpidem, realizada por cientistas da Escola de Medicina da Universidade Tufts, em Boston, sugeriu que o efeito duradouro da droga em mulheres pode ser principalmente atribuído ao fato de elas terem, em média, peso corporal inferior ao dos homens, o que significa que a droga demora mais para sair do organismo.

A digoxina e o zolpidem destacam as armadilhas da inclusão do sexo como uma variável em pesquisas médicas. Além do menor peso e da menor altura, em média, as mulheres também tendem a ter uma porcentagem maior de gordura corporal que os homens. E elas geralmente levam mais tempo para processar os alimentos no intestino. Essas são duas características que poderiam influenciar o comportamento de medicamentos em seu corpo. Contudo, são também fatores que homens e mulheres podem ter em comum. Existem muitas mulheres com peso corporal maior que o do homem médio, por exemplo. Os sexos nem sempre podem ser separados em duas categorias distintas.

Outra coisa que também conta é a experiência de ser mulher em termos sociais, culturais e ambientais. “Sexo e gênero são fatores importantes para a saúde”, diz Janine Clayton. Portanto, o ideal seria que as pessoas fossem tratadas de acordo com o espectro de fatores que as diferenciam. Não apenas o sexo biológico, mas diferenças sociais, de cultura, renda, idade e outros aspectos. Como escreve Sarah Richardson, “uma fêmea de rato — para não dizer uma linhagem celular — não é uma mulher de carne e osso vivendo em um mundo social tremendamente diversificado”.

O problema é que “a questão dos medicamentos é muito binária. Ou se obtém a droga, ou não. Ou se faz isso, ou aquilo”, diz Sabine Oertelt-Prigione. “Então, creio que o único caminho seja incorporar a ideia de que, na realidade, existem ao menos dois corpos neutros, não apenas um. Acredito que seja apenas outra maneira de olhar para as coisas. Em medicina, o simples fato de haver um meio de mudar os paradigmas e olhar as coisas de modo diferente pode abrir todo um conjunto de possibilidades. Isso pode ser traduzido na pesquisa de diferenças entre os sexos, mas existem muitas outras coisas que poderiam ajudar a tornar a assistência à saúde mais inclusiva.”

“O que estamos tentando fazer? Estamos tentando melhorar a saúde humana, certo?”, diz Kathryn Sandberg. “Então, se percebemos que uma doença é mais comum ou mais agressiva em homens que em mulheres, ou vice-versa, podemos aprender muito sobre essa doença se estudarmos o motivo pelo qual um sexo é mais suscetível enquanto o outro é mais resistente. E tais informações podem levar a novos tratamentos que beneficiem a todos nós.” Compreender por que as mulheres tendem a viver mais tempo poderia ajudar os homens a viver mais tempo. Incluir mulheres grávidas nas pesquisas talvez viesse a ampliar o leque de drogas que os médicos não podem prescrever atualmente porque seus efeitos sobre o feto são desconhecidos. Dosagens terapêuticas poderiam ser influenciadas por uma melhor compreensão de como o corpo feminino responde ao longo de seu ciclo menstrual.

Ao menos neste momento, o veredicto de políticos e cientistas parece ser que a inclusão do sexo como uma variável na realização de pesquisas médicas pode acarretar melhorias à saúde em geral. Em 1993, o Congresso norte-americano aprovou a Lei de Revitalização dos Institutos Nacionais de Saúde, que prevê a exigência universal de que todos os estudos clínicos custeados pelos NIHS incluam mulheres nos experimentos, a menos que haja uma boa razão para não fazê-lo. Até 2014, de acordo com um relatório de Janine Clayton na revista Nature, pouco mais de metade dos participantes de pesquisas clínicas custeadas pelos NIHS eram mulheres.

Desde o início de 2016, a legislação dos Estados Unidos tem sido ampliada a fim de incluir fêmeas em experimentos com animais vertebrados e seus tecidos. Hoje, a União Europeia também exige que os pesquisadores que recebem sua ajuda financeira considerem a questão do gênero como parte de seu trabalho. Para ativistas de saúde feminina e pesquisadoras como Janine Clayton e Sabine Oertelt-Prigione, isso é uma vitória. Elas passaram décadas lutando para ter indivíduos do sexo feminino representados de forma igualitária no campo das pesquisas. A preferência pelo masculino está desaparecendo nas áreas em que ela existe. As mulheres estão sendo levadas em consideração. É possível que venhamos a compreender finalmente o que faz com que, na média, as mulheres tenham uma maior expectativa de sobrevivência, e por que os homens parecem relatar menos doenças.

Porém, à medida que a ciência ingressa nessa nova era, os cientistas precisam ser cautelosos. As pesquisas sobre diferenças entre os sexos têm uma história feia e perigosa. Como provam os exemplos da digoxina e do zolpidem, tais pesquisas ainda estão sujeitas a erros e excessos de especulação. Embora possam melhorar nossa compreensão, elas encerram o potencial de prejudicar a maneira como vemos as mulheres e aumentar ainda mais o abismo entre os sexos. O trabalho que está sendo realizado por pessoas como Arthur Arnold no campo das diferenças genéticas entre os sexos tem um impacto não apenas na medicina, mas também no modo como enxergamos a nós mesmos.

Quando começamos a supor que o corpo feminino é fundamentalmente diferente do masculino, isso logo levanta a questão da verdadeira extensão de tais diferenças. Os cromossomos sexuais afetam, além de nossa saúde, todos os outros aspectos de nosso corpo e nossa mente, por exemplo? O estrógeno e a progesterona, além de preparar a mulher para a gravidez e aumentar sua imunidade, também se infiltram no cérebro da mulher, influenciando sua maneira de pensar e agir? E isso significa que estereótipos de gênero, tais como a preferência de bebês do sexo feminino por bonecas e cor-de-rosa, têm real fundamento na biologia?

Antes de nos darmos conta, chegamos a uma das questões mais controversas da ciência: nascemos não apenas fisicamente diferentes, mas diferentes também no modo de pensar?

Texto de Angela Saini (tradução de Giovanna Louise Libralon) em "Inferior é o Car*lho - Eles Sempre Estiveram Errados Sobre Nós", DarkSide Books, Rio de Janeiro, 2018, excertos cap. 2. Digitalizado, adaptado e ilustrado para ser postado por Leopoldo Costa.